Velloso.com - Andre Velloso
 
 

Data: 14/10/2004

Celular GSM bloqueado? Saiba como resolver isso

A grande vantagem que os celulares GSM têm em relação aos modelos de outras tecnologias é que sua identidade (número) está em um chip e não no aparelho. Assim, é possível trocar de telefone facilmente. Na teoria isso é verdade. Só que, na prática, as operadoras GSM têm travado os celulares para que eles funcionem somente com seus próprios chips. Ainda bem que essa trava não é definitiva.

As operadoras têm duas alegações a favor do procedimento. A primeira é o aspecto comercial: elas dizem que têm feito isso para viabilizar descontos nos aparelhos em troca de um contrato mais longo, que garante que o cliente fique com a linha durante a vigência desse contrato. O correto seria o desconto ser estipulado em contrato e o cliente ter de devolvê-lo em caso de quebra contratual. O argumento comercial é tão falho que a própria Anatel e os órgãos de defesa do consumidor têm se posicionado contra o procedimento e assegurado o desbloqueio a quem reclama.

Outra alegação é a segurança. Se um aparelho for roubado ou perdido, o chip é bloqueado pela operadora, mas, pelo menos no Brasil, nem sempre o aparelho passa pelo mesmo procedimento. Assim, o telefone ainda tem valor comercial. Esse argumento não é tão falho, mas seria interessante se o cliente tivesse um código e ele mesmo pudesse bloquear ou desbloquear o celular. Ou, ainda, que as operadoras mantivessem uma lista negra de aparelhos roubados - como ocorre na Europa.

A verdade é que o aparelho bloqueado perde valor de mercado e só pode ser vendido para outro cliente da mesma operadora. Em caso de viagem, o assinante é obrigado a pagar altas taxas de roaming e não tem a opção de comprar um chip pré-pago em uma operadora local. E perde mesmo a mobilidade de uma operadora para outra.

Em contrapartida, é possível pagar pelo desbloqueio - que custa de R$ 10 a R$ 150, dependendo do aparelho. O serviço é oferecido também por quatro ou cinco prestadores de serviço em São Paulo. Localizei um deles. Embora não esteja fazendo nada ilegal, não quis se identificar. Uma busca no Google (www.google.com.br) ou em fóruns específicos (www.forumgsm.com.br) é suficiente para encontrá-los.

O custo do serviço é variável, pois é possível desbloquear os aparelhos de várias formas diferentes. As operadoras podem fazer o trabalho remotamente ou fornecer um código para o desbloqueio (nesse caso, é preciso ter o sinal da operadora). Outra maneira é usar um software para calcular o código por conta própria. Outros aparelhos precisam de um software e um cabo de dados para o desbloqueio. Por último, a única maneira (a mais cara) para alguns modelos, sem que seja necessária a intervenção da operadora, é regravar a memória do celular com um equipamento mais sofisticado.

A verdade é que se seu aparelho estiver desbloqueado, você terá mais facilidade para vendê-lo futuramente e terá a possibilidade de utilizá-lo em outra cidade, estado ou país utilizando chips de operadoras locais. Assim, da próxima vez que for comprar um celular é bom ficar atento a esse detalhe ou fazer valer seus direitos recorrendo a órgãos competentes.

 
 

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